segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Deficiência ou Eficiência

De todos os temas que tive a possibilidade de estudar durante meu período universitário, o que realmente me absorveu mais foi o da "Deficiência" (tanto mental, quanto física). Estive realmente em contacto com ela de diversas maneiras : observações, anotações, desenhos e por fim, enquanto docente. Ensinei desenho e pintura para "velhas crianças". Segundo os cientistas, adultos com idades mentais aproximadamente igual à uns 6-9 anos.

Tive a ousadia de pesquisar o quão "louca" a minha mente poderia ficar. Quis testar o surto, a disfunção mental e fisionómica. Queria transcender, sair dessa esfera que rege nossa vida social e emocional. Quis entender como é ser chamado de anormal, louco, deficiente.

Para minha experiência pessoal, foi necessário esse percurso para eu entender que essa demência, que realmente existiu em minha vida, foi totalmente desnecessária e de um certo modo suicida.

Hoje sei e digo. A melhor maneira de se entender um louco é abrindo os olhos e a mente. Aprender a ver e perceber é com certeza a essência que faltava em minha vida.

A percepção dessas pessoas está além do nosso entendimento. Defino o nosso entendimento como algo racional, que é regido por instituições tais como educação, pais, ética, justiça, tradição, religião, etc...

Se para nossa compreensão, uma garrafa foi definida como sendo um vaso geralmente de vidro, de gargalo estreito, destinado a líquidos (segundo Michaelis), logo entendo que todo conhecimento racional ao ver algo parecido com a definição, associará o objecto a esse significado.

A grande sacada é perceber que para os "Loucos, indivíduos desprovidos de razão", a garrafa pode passar a ser tudo, até mesmo uma garrafa. O entendimento deles é muito mais aguçado do que o nosso. Nós somos e fomos muito limitados por ter conhecimento das coisas.

O que quero dizer com tudo isso, é que para os deficientes que se projectam nas artes, a Deficiência deles acaba virando suas próprias riquezas. Para os cegos, suas cegueiras não os fazem poder desenhar menos ou até mesmo perceber menos. Muito pelo contrário, a cegueira é para eles, seus maiores olhos.

Venho por meio dessa introdução apresentar o trabalho de cegos, que foi resultado de um trabalho de jovens estudantes do Senac de Santo Amaro. Uma exposição que já ocorreu (27-28 de Novembro) e que demonstrou que até os cegos podem fotografar.

Tirado da Folha Online:

Fotografias tiradas por cegos é o tema da exposição "Percepção do Visível: fotografias feitas por deficientes visuais", que fica em cartaz no Centro Universitário Senac (Campus Santo Amaro) de quinta (27) a sexta-feira (28), em São Paulo.

Henrique Issao Aoki/Divulgação
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Senac, Henrique
Issao Aoki
Auto-retrato clicado pelo aluno do curso de fotografia Henrique Issao Aoki

São 35 imagens tiradas por alunos cegos do curso de fotografia do Senac que, ao aprenderem técnicas de fotografia, tiram fotos com luz e foco necessários, ao mesmo tempo em que acrescentam sua percepção aguçada dos demais sentidos em cada registro.


N.B.: Mais fotos acessíveis no site Catraca Livre.


Uma Pincelada colorida em seu universo escuro.

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