domingo, 30 de novembro de 2008

Schmurptzismo

Olá,

Não poderia manter um Blog sem primeiro falar um pouco de minha pessoa e meu envolvimento com as artes.
Estudei Artes Visuais no Brasil de 2002 a 2004 na Belas artes e terminei minha formação na França em Amiens de 2004 a 2006. A diferença nos dois ensinos foi bem distinta: enquanto o ensino Brasileiro privilegiava a experiência e a prática das diversas áreas derivadas das artes visuais, a França enfatizava o academicismo, o estudo teórico das matérias.

Me formei e, consigo dizer hoje que ambas as experiências foram boas para mim, pois tenho hoje um amplo conhecimento de História das artes e também conheço a maioria do material usado nas artes visuais, as técnicas, enfim...

Nesse último ano de faculdade, conheci pessoas que se tornaram hoje grandes amigos. Entre esses amigos, não poderia deixar de falar de um certo Jack Tone, criador do movimento artístico, o Schmurptzismo.

Schmurptzismo, vem da palavra Schmurptz que seria a onomatopeia (som escrito) da banana ao ser deglutida. Sim, sim, eu sei que visto de trás de suas telinhas isso possa parecer um tanto estranho. O pior para vocês é que é realmente esse o nosso objectivo. O Schmurptzismo decidiu sair dessa rede cheia de regras que cada movimento artístico impunha, para ser um movimento que desrespeita todas as regras: absurdos, conceitos inconcebíveis, ideias desconexas, etc...

Naquele ano em que entrei como mais um integrante do Schmurptzismo, nosso maior objectivo, que de certo modo não existia, era principalmente criado com relação à política francesa. Lutamos pacificamente contra um governo que não nos interessava para substituí-lo por um governo que nos interessou menos ainda... As revoltas políticas dentro do Schmurptzismo são frequentes, pois o maior erro do homem é estar disposto a eleger outro homem no qual ele não tem nenhuma confiança para com que essa mesma pessoa governe e dite as leis que o mesmo deverá respeitar. Algo que até hoje não entendi. As maiores ditaduras começaram assim, elegendo alguém que não mudou nada, só piorou as coisas.

Enfim, o Schmurptzismo se transcreve através de campanhas políticas "verdadeiras" quando supomos que a maioria das promessas feitas em debates não são mantidas, através de vídeos, através de panfletos, de desenhos, ilustrações, performances, que conseguem transcrever o quanto absurdo são nossas ações. O Schmurptzismo é a arte de não ser arte, o contraditório de todos e tudo, o reflexo preto da cor branca.

Como todo movimento artístico, o Schmurptzismo devia possuir um Manifesto. Leiam apreciam, e vejam que mesmo através do manifesto, manifestamos que manifesto não há.

O Schmurptzinberg
foi escrito por Jack Tone e seu melhor amigo Jean Saintot, traduzido por minha pessoa:

Nós somos os Schmurptzistas, Cavaleiros do Inomável, os Carniceiros da Teoria, os Esfomeados do Vento, os Urubus do Pensamento, os Aduladores e os Destruidores de todo Ideal, os Exterminadores do mundo.
A vida não tem sentido; nenhuma entidade supra-cósmica está aqui para nos guiar nas alas deste imenso supermercado que é a vida: os velhos ideais desapareceram e sem eles o Homem se sente só e indigno da maiúscula que ele dá ao seu nome. O sentimento de absurdo ganha terreno: não nos pertence mais elevar uma barreira contra esta maré - nós não somos os Reaccionários da Significação - mas lutar contra o Desespero que ela desperta. "A vida encontra todos seus sentidos só uma vez que foi entendido que ela não tem nenhum": esta fórmula deve anular o desgosto enfatizado pelo vazio do mundo, este spleen de pacotilha que é reconhecido como elegante por Houellebecq e seus similares. Alegramos-nos da inexistência dos lugares de fixação, e, de acordo com os Monty Pythons, caminhamos livremente e destemido para os Oceanos do Absurdo, onde todas as lutas merecem ser lideradas pois é na luta mesma que o espírito acha sua satisfação. "Não combatemos na esperança do sucesso / Não, é tão melhor quando é inútil": estes versos de Rostand contem em parte todo o inconsciente-consciente de se mesmas dos Samurais do Bananismo. Pois o sucesso significaria o fim do combate, da jubilação selvagem que ele produz e, por fim, a desconstrução, a solidão, a velhice, a decomposição e a morte.
O que nós denominamos "Bananismo" não é um novo Romantismo (não é de o nosso interesse voltar à uma "idade dourada do entusiasmo" ou à exaltação estúpida dos primeiros fieis de Mussolini), mas um Idealismo multi-direccional que tem consciência da perigosa ideia que ele teria de fixar-se a uma tarefa definitiva, fosse ele inacessível. O Bananista é um Dom Quichotte que sabe que ele é louco, mas que recusa independentemente de tudo e todos de baixar as armas: Cavaleiro do sorriso estampado que percuta os moinhos em cheio com mestria e elegância. O Bananismo é o entusiasmo intelectual, o iluminismo religioso, a perseguição insensata de objectivos desmesuráveis, a loucura guerreira guiada pelos grandes príncipes universais; o Schmurptzismo é o instante onde todos esses sonhos quebram-se em pedaços, mas de maneira suficientemente estético para não desviar os espectadores do caminho do híbrido. Não devemos deixar ao Bananismo nem o tempo de desfazer-se (pois ele é só sopro sem conteúdo "objectivamente valorizado"), nem aquele de elevar-s em ideologia (toda ideologia é totalitarista); quanto ao Schmurptzismo, ele só é o toque da lucidez intelectual que quebra para fins zigomáticos o foque da Schwärmerei : se este último estender-se ao conjunto do quadro, então as ilusões que nos fazem viver entrem em extinção e a humanidade perece.

O Conselho Supremo Galáctico.

N.B: O manifesto deve ser traído a cada cinquenta anos durante 10 minutos.

Vide o blog do Conselho neste link a seguir: http://www.lecsg.canalblog.com/ (francês)


Uma pincelada colorida em seu universo escuro.

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